quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Espuma do mar

E foi ao som do mar, "Do" som e não da espuma, mas que embora não a veja por serem 3:31h da madrugada, sei que lá está, que surgiu esta necessidade de escrever sobre um breve resumo de alguns anos de vida reflectidos mas nem tanpouco digeridos por cada segundo ser uma fracção de tempo demasiado complexa que acontece, encorporando demasiados acontecimentos em simultâneo. Pois bem que nada melhor então, que um som puro, que surje do intocável e inalterável desenvolvimento natural, para se realizar este texto...
Quero após demasiados pensamentos flutuantes na mente e frases aí construídas passar para a escrita o que sinto e o quanto se passa em moderadamente pouco tempo...
Começando pela infância, fui Feliz e isto resume tudo, nada mais precisaria de dizer, no entanto, não foi tudo coisas boas e houve lições que aprendi a conta de erros mas e daí? normal e necessário, as palmadas, os repreendimentos, os gritos! Sem dúvida essenciais para distinguir o mal do bem e para estabelecer limites necessários para onde cresci, para respeitar outrem. Sou do tempo onde se brincava não só em casa, mas prioritariamente na rua, na areia, onde sujar era obrigatório, suar necessário e não precisei nunca de óculos por cansaço proveniente de horas numa televisão e computador...os jogos eram com humanos da minha idade e a conversa e a brincadeira partia e surgia desde que fosse partilhada com outras pessoas. Nada como apanhar insectos, criar enredos com bonecos e fazer colecções de plantas e animais, tal biólogo explorador, entre tantas outras coisas fantásticas...Fui feliz digo mais uma vez com muito orgulho na alma e na face, com lembranças familiares também elas fantásticas.
Adolescencia foi um período tambem ele rodeado de muitas pessoas que conheci, alterações fisicas e emocionais partilhadas das formas possíveis com consequentes enredos, não com brinquedos mas também eles com pessoas. Aprender a valorizar por mim mesmo pessoas importantes e a não ligar as que não eram, aprender a crescer pelo bem e até pelo mal, a chorar e a rir, a criar amizades e a apanhar desilusões...algo intemporal e para sempre assim será. Período de discussões com os pais, comigo mesmo, o estudo, os objectivos de vida a serem traçados e a ambição e dedicação criada para os realizar e atingir, tudo parte de alguém que se pode dizer que foi "certinho" mas que fez bastantes disparates quando os teve de fazer...
Depois e talvez a maior mudança e mais significativa, universidade, Évora, saída de casa e criação de uma independência. Não independência financeira mas pessoal, mental...Poder ser simplesmente eu, com os meus valores mas sem restrição por parte de quem quer que seja...
Évora trouxe amigos únicos, pessoas conhecidas apenas e pessoas para a vida, ano após ano novas pessoas, umas ficavam, outras iam e algumas permanecem até hoje. Algumas pessoas por razões minhas, outras por razões delas foram saindo, mas o rol de "personagens" no livro que escrevo têm sido inumeras e das mais variadas. Foi em Évora que me desenrolei, que a minha vida ganhou sentido pessoal, ganhei vida do corpo inerte e algumas vezes petrificado e moldado até ali. Fui enchedo com mais coisas e eternamente a vida nos trará "pedaços" para ir compondo e tirará outros...
Tirei o curso que desejava e ambicionei (não o único/principal, mas aquando da decisão o que queria) e comecei a trabalhar, ali mesmo, em Évora. Hoje mantenho-me lá, num serviço e numa equipa que, realmente me dá bastante gosto trabalhar e exercer a profissão, de que me orgulho constantemente.
Durante todo este tempo aprendi e cresci como toda a gente mais cedo ou mais tarde. Esta é uma história bastante resumida de uma (ainda) curta vida de 23 anos, mas com muitas histórias de vida. Durante estes anos já ganhei amigos, já os perdi (alguns infelizmente de forma definitiva); já amei, já fui amado; já errei bastante e com isso magoei muitas pessoas e já me magoaram muito também; Já ganhei, já perdi; Já chorei e já ri; Já me embebedei, já o fiz a outros; já fui ofendido e ofendi; Já fui discriminado e já discriminei; etc...
Ainda há uns dias perguntei a uma figura que simboliza muito para mim: "como é que me tornei assim?! Eu não era assim..." e realmente não o era, não o fui mas há mudanças necessárias na vida, umas bem vistas mas outras não. Disse isso após sair completamente lesado e após uma decepção amorosa. Pois bem senti que já fora simples e bondoso mesmo quando "pisado", só via o bem. A vida foi-me ensinando que não o é sempre assim. Nos ultimos tempos, e em pouco tempo quis o tudo acabando por perder mais que ganhar, aproveitei o que me era dado pela vida mas nem tudo o que a vida nos dá, é de graça, tem consequências e eu senti isso. Sinto que os últimos acontecimentos e que me têm deixado magoado e ressentido com a vida nada mais são que, meras consequências de actos anteriores...Fiz o que fiz e hoje, seriamente penso em, por vezes mandar sms a algumas pessoas a pedir desculpa por algo que tenha feito, outras vezes mandar a informar que não agiram bem comigo e que merecia mais respeito mas enfim...a vida dá, a vida tira, e nós mantemo-nos... Sei que há, actualmente, muita gente magoada comigo, sei que me magoei muito com outras pessoas, e errei em alguns casos como também erraram comigo e isso faz parte, o mundo gira e ser humano age, umas vezes bem, outras mal mas há que aprender. Aprender sempre mais, com erros e glórias, com risos e com lágrimas. Se estás a ler isto e foste alguém que magoei então peço desculpa, se isto não chega e achas que mais haverá a "discutir" diz-me, que certamente uma conversa fará bem a ambos, se achas que já me magoas-te e me deves pelo menos algum esclarecimento ou tens vontade de esclarecer algo que pensas não estar bem, ou se simplesmente achas que não tenho agido bem, então abertamente estarei disposto a ouvir-te, mas diz, com um sorriso ou com uma lágrima fala-me que esconder e carregar as costas a mágoa de alguma coisa, consome o que há e impede que mais haja.
Amo o mundo, mesmo quando o mundo parece não gostar de mim! Sou hoje alguém diferente do ontem e do ano anterior, que foi mudando por várias razões mas que ama aqueles que o amam e admite que nem sempre agira bem mas sou humano e precisava de cair em algumas situações para agora me levantar e evitar quedas maiores...

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Sem chão - Sobra metade

"Dê a quem você ama: asas para voar, raízes para voltar e motivos para ficar."

Dalai Lama

E é assim, desta forma e com esta frase que parto eu, para regressar ao mundo que tenho e ao qual me falta uma grande parte, uma parte que tive, abdiquei e após várias cabeçadas com a vida me mostrou que era a minha metade. Vou, apenas meio mas se é a tua vontade, ou se por medo não sei, respeito a tua escolha e sigo a estrada da minha vida, seja ela com progressão ou um beco sem saída :) Valeu, acima de tudo, por te voltar a ver, ouvir e tocar, por sentir que o sorriso se mantem e que não seja por mim, que se mantenha por alguém, certamente com bastante sorte...Disse pela primeira vez uma palavra que não sabia como dizer e que pelos vistos veio tarde, "Amo-te" e embora não tenha sido permitido ser dita nas circunstâncias certas disse e repetila-ei na minha mente sempre que as imagens que teimam em passar na minha mente surjam e te veja, longe mas tão perto. Como se vêm partir/ficar as pessoas da nossa vida, quando parece ser o único caminho certo? Como disse Dalai Lama na frase, dar-te-ei asas para voar, mas as raízes para voltar encontram-se cá, e os motivos para ficar descobertos e ditos a cada dia, a cada olhar e percepção da tua pessoa...A vida logo mostrará os caminhos...as escolhas são as nossas.
Tanto fica por dizer e sem oportunidade de o fazer mas fica uma certeza, respeito-te e quero ver-te simplesmente feliz e se é este caminho que achas que o fará, então estarei na primeira fila da tua vida a assistir e aplaudir.
Não desapareças pff, é a única coisa que te peço mais...

Amo-te